segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Despedida

Já é tarde, preciso ir embora e seguir minha jornada. Parei alguns anos, porque julguei pertinente reformular alguns projetos para poder te incluir neles. Pois, ao te conhecer, não conseguia me imaginar adiante sem o sorriso que brotava de teus lábios como canção da chuva sobre os arvoredos.
Em alguns momentos, a razão me cobrava ações e me mandava ir embora, no entanto eu não conseguia me imaginar sem o teu hálito em meu pescoço e tua voz vibrante de desejo me induzindo e me impulsionando a ser mulher.
Passaram-se os anos e você não veio por inteiro, só tive o prazer de usufruir fragmentos de teu ser que, de forma furtiva, permitia-me sonhar com um talvez ou um quemsabeumdia.
Por diversas vezes arrumei meu alforje, mas meu peito doeu tanto que resolvi me sentar à beira do caminho e continuar te aguardando.

Todavia, o tempo, esse amigo e inimigo congruente me instigou a decidir entre partir ou esperar o acaso; apelei por mais alguns dias na esperança de resolver o que estava pendente há anos, porém não foi possível, porque dentro de mim já existia uma decisão relevante, formulada pela razão já madura e entediada.

Por isso estou aqui me despedindo. Necessito ser fria e não olhar mais para trás, porque a minha sobrevivência como ser humano depende do mínimo de coragem que está nascendo agora dentro de mim.

Já é tarde, preciso ir embora.

Sabe, estou cansada! E esse cansaço invade meu corpo e mente. Mas apesar de querer   partir logo, sinto que vou descansar mais adiante em uma sombra reconfortante. Preciso dormir serenamente para só depois retornar a essa longa jornada imposta pela vida. Dessa vez não me alimento mais de possibilidades de te encontrar, nem de conjecturas para te ter... Dessa vez eu avanço mais realista, porém com um intenso desejo de convergir para frente, sempre para a frente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Descartar ou reciclar?



Não saberei responder a essa pergunta em muitas situações da vida, em se tratando de atitudes coerentes quanto ao outro. Claro que é imperativo, nos dias atuais, reciclarmos as coisas, mas ninguém quer perder tempo em "consertadores". Às vezes, sai mais barato, economicamente falando e também na economia do tempo e aborrecimentos, descartarmos o que está avariado e adquirir um novo produto. No entanto, podemos fazer assim com os relacionamentos? Amizade, amor, filhos, vizinhos? Que queiramos ou não, pessoas não são descartáveis e substituíveis. Investir numa relação é sempre uma caixinha de surpresa, mas vale a pena, se não obtivermos a resposta positiva da mudança do outro, pelo menos teremos a certeza de que tentamos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ansiedade : saiba mais

No limite
Medicina tenta oferecer alívio para a ansiedade.




Não se sabe exatamente quantos são os ansiosos no Brasil. Mas sabe-se que são milhões. Para se ter uma idéia, estima-se que existam pelo menos 15 milhões de brasileiros adultos padecendo dos sofrimentos mais graves relacionados à ansiedade. São pessoas que têm desde crises de tontura, diarréia e dor no peito até aquelas que amargam a mais completa paralisação e medo diante de qualquer situação que lhes pareça ameaçadora.

Não é difícil entender o motivo de reações tão extremas. Os ansiosos criam expectativas desnecessárias sobre os acontecimentos futuros, querem resolver as situações antecipadamente e costumam ser pessimistas. Suas preocupações são intensas, duradouras e freqüentes. E, infelizmente, embora ainda não se disponha de estatísticas brasileiras, é certo que o mal vem crescendo. A competição por melhores cargos no emprego e a vida pessoal atribulada são alguns dos fatores que aumentam a ânsia de quem sofre do problema. E mesmo quem não se importava acaba ficando mais vulnerável.

A incidência e a gravidade do problema estão obrigando a medicina a dirigir atenção especial à doença. O resultado é que há várias boas notícias no seu combate. A primeira delas é o fato de os médicos, hoje, entenderem muito melhor a natureza do mal e suas manifestações. Sabe-se que são quatro os principais transtornos associados a ele, motivados por uma ansiedade exagerada. O primeiro deles é chamado justamente de ansiedade generalizada. Ele é caracterizado por crises pontuadas por taquicardia, mal-estar abdominal, tensão muscular, acompanhados de irritação e de uma imensa dificuldade para relaxar diante de situações que gerem ansiedade.

A manifestação de quatro sintomas em um semestre caracteriza um quadro de ansiedade generalizada. Ela afeta a vida social, familiar, profissional e até o aprendizado. Muitas vezes, por exemplo, o cansaço excessivo típico de quem sofre desse tipo de transtorno impede que o ansioso sinta vontade de sair com os amigos. E a irritação acaba descontada nos familiares. No trabalho, a produtividade cai.

Nos vestibulares, o problema fica exacerbado. Algumas vezes, mesmo que o candidato esteja bem preparado, ele não consegue se lembrar de nada no momento da prova. A ansiedade prejudica o rendimento do aluno, fazendo com que ele perca parte da lucidez para lidar com o próprio saber. Foi o que aconteceu com o estudante Francisco Santos, 21 anos, “ao prestar vestibular para medicina pela segunda vez, na hora da prova, eu simplesmente não consegui enxergar nada. Ficou tudo fora de foco, embaçado. Perdi o vestibular por causa da ansiedade e tive que procurar um psicólogo para controlar o problema. Na terceira tentativa, passei no vestibular e estou no primeiro ano de Medicina”. O aprendizado também sai no prejuízo. Cerca de 5% a 8% dos estudantes sofrem de distúrbios de aprendizagem relacionados de alguma forma à ansiedade. A falta de concentração e dificuldades de leitura estão entre as manifestações mais comuns dos problemas a que se refere a especialista.

O ansioso não atrapalha apenas a si mesmo, mas os colegas também. Quando trabalha em equipe, sua ansiedade costuma prejudicar os companheiros. Ele deseja saber a todo momento como andam as coisas e faz as mesmas perguntas mil vezes. Fica afobado e prejudica o andamento do projeto.

Outro problema associado à ansiedade é o transtorno do pânico. Seus sintomas aparecem de forma brusca. O indivíduo está tranqüilo e de repente imagina que uma determinada situação é ameaçadora. Passa a ter, então, sintomas como falta de ar e tontura. O episódio dura cerca de dez minutos. Ele pode sentir medo de ficar sozinho em casa e, por isso, toda vez que se vê nessa circunstância, entra em pânico. As crises costumam se repetir com freqüência. Em um estágio avançado ele evita até mesmo ir ao trabalho. Os especialistas recomen-dam procurar o médico a partir da primeira manifestação. Seu apareci-mento costuma ocorrer depois da adolescência. As fobias também estão relacionadas à ansiedade. São medos irracionais, exagerados e persistentes de situações, objetos, animais. Há quem tenha fobia de sangue, avião, doenças, entre outras.

A ansiedade também está por trás do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). O indivíduo tem imagens ou idéias repetidas. Ele tenta evitá-las, mas não consegue. Por isso, começa a apresentar atitudes compulsivas para afastar os pensamentos. A ocorrência desses transtornos não obedece a uma escala de gravidade. Ou seja, uma pessoa que sofra de ansiedade generalizada que se agrava por algum motivo não terá, necessaria-mente, uma crise de pânico ou de TOC. O contrário também é verdadeiro.

Outro avanço importante na compreensão da ansiedade é a descoberta de suas causas. É verdade que elas não estão totalmente esclarecidas, mas já há boas pistas. A resposta para o fato de um indivíduo ser mais ansioso do que outro pode estar no desequilíbrio entre neuro-transmissores (substâncias que transmitem informações entre os neurônios) envolvidos no processa-mento do humor, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina. A disfunção ocorre numa região do cérebro chamada amígdala, que está ligada às emoções. Existem outras peças se encaixando nesse quebra-cabeça. Há um ano, pesquisadores descobriram uma nova substância, batizada de P, que também estaria relacionada à doença, embora ainda não se tenha mais detalhes sobre sua atuação.

Hoje, acredita-se que a ansiedade tenha influência genética e, por isso, seja hereditária em grande parte dos casos. A educação recebida pela família também é levada em conta. Pais superprotetores e controladores fazem com que suas crianças cresçam num ambiente ameaçador. Elas ficam inseguras e tensas porque estão sujeitas a ser corrigidas ou ter de prestar contas por qualquer gesto. A ansiedade surge como um tipo de defesa. Com ou sem sintomas físicos, como náuseas e dores musculares sentidas por algumas crianças, a ansiedade infantil pode vir acompanhada de dificuldades de relacionamento com os colegas.

Um dos desafios, no entanto, é esclarecer o papel do estresse no surgimento da ansiedade. Os cientistas ainda não sabem qual dos dois aparece primeiro. O estresse tanto surge como fator desencadeante como pode ocorrer depois que o problema está instalado. Mas o resultado no organismo é praticamente o mesmo. Ambos aumentam a produção dos hormônios cortisol, noradrenalina e de crescimento. Essas substâncias diminuem as defesas do corpo, aumentam o colesterol ruim e podem contribuir para o aparecimento de infecções, tumores e doenças cardíacas. Por causa de tanto estrago, a doença ganhou status de prioridade. Em estágios mais sérios, a ansiedade é considerada um problema de saúde pública.

As informações levantadas até agora estão permitindo a aplicação de novos tratamentos. Uma das novidades é o uso dos antidepressivos, principal-mente para a ansiedade generalizada. Gradativamente, eles estão substi-tuindo os benzodiazepínicos ou ansiolíticos. Os ansiolíticos causam dependência porque têm substâncias que tornam o organismo tolerante às drogas. Por causa disso, é preciso aumentar cada vez mais a dose para conseguir os mesmos efeitos do tratamento (geralmente isso é necessário em pacientes que tomam o remédio há cerca de um ano).

Outra vantagem é que os antide-pressivos tratam a depressão que costuma surgir após intensas manifestações de ansiedade. Recentemente foi lançado o antidepressivo à base de venlafaxina. Além de atuar sobre a serotonina, como os outros medicamentos do gênero, o remédio age também na noradrenalina. O resultado é positivo porque a droga atua sobre dois neurotransmissores envolvidos no processo da ansiedade. Uma opção mais saudável de tratamento são os ansiolíticos naturais. Como utilizam substâncias ativas naturalmente presentes nas plantas com finalidade terapêutica, em geral esses remédios não apresentam efeitos colaterais. Contra a ansiedade e depressão, é empregada a raiz da kava-kava (Piper methysticum) sob a forma de cápsula. A planta não causa dependência nem sedação.

Outra estratégia cada vez mais usada contra a doença é a terapia cognitiva comportamental, técnica que vem sendo empregada com sucesso pelos especialistas para cuidar de todos os tipos de transtornos ansiosos. O método expõe gradualmente o paciente a situações geradoras de ansiedade para que ele aprenda a enfrentar seus medos. Do lado de fora dos consultórios, também há iniciativas animadoras. Uma delas vem do Hospital Universitário da USP. Ali, o corpo de enfermagem tenta amenizar o problema entre os pacientes da unidade de terapia intensiva. Uma das mudanças é permitir que o doente receba visitas em horários especiais (além das duas entradas estabelecidas por dia). A iniciativa diminui o estresse de quem está internado. Outro recurso das enfermeiras é conversar com os familiares para dar notícias sobre o estado do paciente. A informação clara reduz a ansiedade da família.

Também há técnicas coadjuvantes que ajudam a controlar os transtornos ansiosos, especialmente a ansiedade generalizada e o transtorno do pânico. No caso da acupuntura, por exemplo, as agulhas atuam sobre determinadas terminações nervosas do corpo e o estímulo é levado até o cérebro. Lá, acontece uma liberação de serotonina, que inibe a crise de pânico.

A meditação é mais um recurso excelente. Por isso, é uma das técnicas mais usadas para controlar a ansiedade. Ela se baseia em exercícios respiratórios e muita concentração. O praticante deve prestar atenção na sua expiração e inspirar normalmente. Dessa forma, ele consegue trazer sua mente para o momento presente, já que a ansiedade está ligada a expectativas futuras. A ioga, outra modalidade indicada para aplacar a ansiedade, também aposta suas fichas nos exercícios respiratórios, além de promover o relaxamento corporal. O objetivo é fazer com que a pessoa volte sua concentração para a sua expiração e o momento presente.

A prática de atividade física é outra forma de aplacar a ansiedade mais branda. Os exercícios estimulam as endorfinas, substâncias que melho-ram a ação dos neurotransmissores ligados ao humor. Uma dieta saudável também é ponto precioso nesse jogo. As verduras, legumes e frutas têm compostos que ajudam a regular os neurotransmissores envolvidos no processamento das emoções. Quem já é ansioso também deve evitar fumar, beber e tomar café, pois os três têm compostos estimulantes que deixam a pessoa mais agitada. Há também estratégias de emergência para serem usadas nas horas em que as crises de ansiedade parecem monstros prestes a engolir sua vítima. Procure respirar profundamente por cinco minutos para que sua taxa de adrenalina baixe e você elimine toda a angústia. Dessa forma, é possível ter calma para enfrentar a situação sem perder o controle.


http://www.hebron.com.br/Revista/n02/capa.htm

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aprendendo a amar

Por Sandra Maia, colunista do yahoo.




Por que para alguns é tão fácil construir e reconstruir a vida amorosa, entrar e sair de relacionamentos, e para outros isso é tão difícil, por vezes impossível?

Será que, ao longo das nossas vidas, realmente investimos no aprendizado da arte de amar? Quando estamos amando nos permitimos viver ou continuamos com o freio de mão puxado esperando a casa cair?

Contribuímos para que tudo fique cada vez melhor ou provocamos o que menos queremos – o fim? Ficamos porque encontramos o amor ou porque estamos dependentes? Saímos porque não faz bem ou por medo de nos aprisionar, nos entregar?

Muito o que aprender

Pois é, caro(a) leitor(a), quanto mais se passam os anos, mais vejo que há muito a aprender sobre essa arte. E para começar, como qualquer outra matéria, entender os diferentes tipos de amor – dos saudáveis aos doentios – faz uma grande diferença.

Compreender os atalhos, as distorções, as neuroses nos faz mais realistas sobre o que queremos e não queremos. O que podemos ou não incluir nas nossas vidas. Faz-nos ver com clareza a diferença entre querer e precisar… Sim, porque, por vezes, queremos algo que não precisamos…

Você consegue se lembrar de algo, alguma história, algum momento em que deixou de lado a intuição e baseou-se no entorno, no que os outros acham, no que os outros queriam para você? Acredite, grande parte das nossas decisões tem como base o medo, a ilusão, o ego, a vaidade… E, nesses casos, infelizmente, não há sustentação para a construção de qualquer vínculo duradouro.

Escolhas conscientes

Exercer o amor – colocá-lo em prática – é mesmo a única forma de aprendizado. O caminhar, você sabe, se faz caminhando. Então, fica aqui mais um convite à reflexão: será que temos consciência da maneira como escolhemos nos relacionar?

Está claro, dentro da nossa percepção, nossos padrões de comportamento e escolha? Vale analisar com carinho e, para tanto, basta olhar para trás e traçar um fio com as histórias ou história experimentadas.

Qual o tipo de amor que damos? Qual o tipo de amor temos recebido de volta? O que provocamos no outro? O que fazemos conosco? Estamos felizes? Completos? Íntegros? Vivemos a nossa verdade, o nosso self, nos permitimos ser quem realmente somos?

Estamos vivendo um amor simbiótico daqueles que nos tiram a vida, o fôlego? Vivemos uma história de possessividade? Uma relação com base em dor e sofrimento? Conseguimos ultrapassar tudo isso e, nos entregamos a relações saudáveis nas quais – há troca, respeito, gentileza, decisão?

Qual a escolha?

Ela impacta diretamente na nossa qualidade de vida. E, quando escuto histórias de casais que vivem a relação com base numa guerra, num thriller, numa violência sem fim, me pergunto: Será mesmo essa a relação? É dessa forma que o amor acontece?

Não creio. Toda vez que ouço esses relatos sempre me vem à cabeça uma questão interna: a falta de auto-estima. A falta de autopercepçao. A falta de amor próprio. Lembra-se da frase “ama ao outro como ama a ti mesmo”? O traço de uma relação saudável, plena de amor, começa na forma como nos relacionamos conosco, com nossos sonhos, nossa essência, nossos valores.


http://colunistas.yahoo.net/posts/4601.html

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"O que a Bíblia diz sobre a ira?"

http://www.gotquestions.org/Portugues/


Resposta: Lidar com a ira é um tópico muito importante. Um conselheiro experiente disse que 50% das pessoas que vieram ao seu consultório para aconselhamento tinham problemas com ira. Ela pode destruir a comunicação e acabar com relacionamentos, além de arruinar a alegria e saúde de muitos. É muito comum que pessoas tentem justificar sua ira, ao invés de aceitar a responsabilidade por seu comportamento. Há um tipo de ira que a Bíblia chama de indignação justa, mas ela não deve ser confundida com a ira da qual estamos falando aqui.

Em primeiro lugar, ira nem sempre é um pecado. Deus é raivoso (Salmo 7:11; Marcos 3:5), e os crentes são comandados a se irarem (Efésios 4:26). Duas palavras gregas são usadas no Novo Testamento para a nossa palavra “ira”. Uma (orge) significa “paixão, energia”; a outra (thumos) significa “agitado, fervendo”. O dicionário Webster define a ira como “emoção excessiva, paixão despertada por um sentimento de injustiça ou erro”; essa injustiça pode ter sido contra nós ou outra pessoa. Biblicamente falando, a ira é uma energia dada por Deus para nos ajudar a resolver problemas. Exemplos de ira bíblica incluem Paulo confrontando Pedro por causa de seu mau exemplo em Gálatas 2:11-14, Davi estando chateado ao escutar o profeta Natã narrando sua injustiça (2 Samuel 12) e Jesus ficando irado pela forma em que alguns judeus tinham difamado o louvor no templo de Deus em Jerusalém (João 2:13-18). Note que nenhum desses exemplos de ira envolveram auto-defesa, mas defesa de outras pessoas ou de um princípio.

No entanto a ira se torna um pecado quando é causada por motivos egoístas (Tiago 1:20), quando o objetivo de Deus é destorcido (1 Coríntios 10:31), ou quando a ira permanece por muito tempo (Efésios 4:26-27). Ao invés de usar a energia gerada pela ira para atacar o problema em mão, a pessoa é que acaba sendo atacada. Efésios 4:15, 19 diz que devemos falar a verdade em amor e crescer em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, e não permitir que palavras insensíveis ou destrutivas saiam de nossas bocas. Infelizmente, esse falar venenoso é uma característica comum do homem pecador (Romanos 3:13-14). A ira se torna um pecado quando permitimos que transborde sem limites, resultando em um cenário no qual todos presentes se machucam (Provérbios 29:11), devastando tudo e todos, com consequências irreparáveis. A ira também se torna um pecado quando o que está irado se recusa a se acalmar e acaba guardando rancor ou mágoas dentro de si (Efésios 4:26-27). Isso pode causar depressão e irritabilidade com qualquer coisinha, geralmente, com coisas que não tinham nada a ver com o problema original.

Podemos lidar com a ira de uma forma bíblica:
1) Ao reconhecer e admitir que nossa ira e a forma na qual lidamos com ela são egoístas (Provérbios 28:13; 1 João 1:9). Essa confissão deve ser a Deus e àqueles que se machucaram como resultado de nossa ira. Não devemos minimizar esse pecado e dizer que “as coisas esquentaram um pouco o outro dia” ou ao tentar transferir a culpa: “bem, se você não tivesse agido do jeito que agiu...”

2) Ao ver que Deus tem controle sobre tudo. Isso é de grande importância, especialmente, quando outras pessoas fizeram algo para nos ofender especificamente. Tiago 1:2-4; Romanos 8:28-29 e Gênesis 50:20 apontam ao fato de que Deus é soberano e tem total controle sobre TODAS as cirscunstâncias e pessoas que cruzam nosso caminho. Nada acontece conosco que Ele não permita. E assim como todos esses versículos ensinam, Deus é um Deus BOM (Salmo 145:8,9,17) que faz coisas boas e usa todas as coisas em nossas vidas para o nosso bem e para o bem daqueles que estão ao nosso redor! Refletir nessa verdade até que penetre nossas cabeças e corações vai influenciar como reagimos com aqueles que nos machucaram muito.

3) Ao dar espaço para a ira de Deus. Isso é especialmente importante em casos de injustiça, especialmente quando executados por homens “malignos” a pessoas “inocentes”. Gênesis 50:19 e Romanos 12:19 nos dizem que não devemos fazer o papel de Deus. Deus é correto e justo, e podemos confiar que Aquele que conhece tudo e vê tudo vai agir justamente (Gênesis 18:25).

4) Ao não retornar mal ao invés do bem (Gênesis 50:21; Romanos 12:21). Isso é de grande importância para converter nossa ira em amor. Assim como as nossas ações se originam em nossos corações, assim também nossos corações podem ser alterados por nossas ações (Mateus 5:43-48). Isso quer dizer que podemos mudar nossos sentimentos em relação a uma pessoa ao mudar como escolhemos agir ao redor dessa pessoa.

5) Ao escolher se comunicar bem para resolver o problema. Há quatro regras básicas para comunicação, de acordo com Efésios 4:15,25-32:

a) Seja honesto no seu falar (Efésios 4:15,25). As pessoas não podem ler nossas mentes. Fale a verdade EM AMOR.

b) Não acumule (Efésios 4:26-27). Não devemos permitir que o que está nos incomodando acumule até que finalmente perdamos o controle. Compartilhar e lidar com o que está nos incomodando antes de chegar a esse ponto é muito importante.

c) Ataque o problema, não a pessoa (Efésios 4:29,31). Devemos manter o volume de nossa voz baixo (Provérios 15:1). Gritaria é, geralmente, considerada uma forma de ataque.

d) Aja, não reaja (Efésios 4:31-32). Por causa de nossa natureza pecaminosa, nosso primeiro impulso é, geralmente, pecaminoso (verso 31). O tempo que passamos “contando até dez” deve ser usado para refletir em uma resposta que agrada a Deus (verso 32) e para nos lembrar que a ira deve ser usada para resolver problemas, não para criar outros problemas maiores.

6) Em último lugar, devemos fazer a nossa parte para resolver o problema (Atos 12:18). Não podemos controlar como outras pessoas vão responder, mas podemos cuidar do que deve ser mudado da nossa parte. Superar um temperamento explosivo não vai acontecer da noite para o dia. No entanto, através de orações, estudos Bíblicos e dependência do Espírito Santo de Deus, podemos ter vitória. Assim como talvez nós tenhamos deixado que a ira fizesse parte de nossas vidas através de prática habitual, também precisamos praticar responder da forma correta até que se torne um novo hábito que substitui os velhos hábitos. Leia a seguir alguns versículos do livro de Provérbios que lidam com o tópico da ira:

6:34 - ... porque o ciúme enfurece ao marido, que de maneira nenhuma poupará no dia da vingança.
14:17 - Quem facilmente se ira fará doidices; mas o homem discreto é paciente.
14:29 - Quem é tardio em irar-se é grande em entendimento; mas o que é de ânimo precipitado exalta a loucura.
15:1 - A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.
15:18 - O homem iracundo suscita contendas; mas o longânimo apazigua a luta.
16:32 - Melhor é o longânimo do que o valente; e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade.
19:11 - A discrição do homem fá-lo tardio em irar-se; e sua glória está em esquecer ofensas.
19:19 - Homem de grande ira tem de sofrer o castigo; porque se o livrares, terás de o fazer de novo.
22:24,25 - Não faças amizade com o iracundo; nem andes com o homem colérico; para que não aprendas as suas veredas, e tomes um laço para a tua alma.
27:4 - Cruel é o furor, e impetuosa é a ira; mas quem pode resistir à inveja?
29:8 - Os escarnecedores abrasam a cidade; mas os sábios desviam a ira.
29:22 - O homem iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.

domingo, 15 de agosto de 2010

Você faz parte dos 5%?

Maior bronca que já levei


Tínhamos uma aula de Fisiologia na escola de medicina logo após a semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral. Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio.
Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que minha turma correspondeu?

Que nada. Com um certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei.

"Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez", disse, levantando a voz e um silêncio carregado de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou.

"Desde que comecei a lecionar, isso já faz muito anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro; apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem apenas para fazer volume; são medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.

O interessante é que esta percentagem vale para todo o mundo. Se vocês prestarem atenção notarão que de cem professores, apenas cinco são aqueles que fazem a diferença; de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros rofissionais; e podemos generalizar ainda mais: de cem pessoas, apenas cinco são verdadeiramente especiais.
É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranquilo sabendo ter investido nos melhores.
Mas, infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos à aula de ...".

Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia durante todo o semestre; afinal quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto ?

Hoje não me lembro muita coisa das aulas de Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram a diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então, tenho feito de tudo para ficar sempre no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não; só o tempo dirá a que grupo pertencemos.

Contudo, uma coisa é certa:
se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A latinha de leite

Um fato real. Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um deles de cinco anos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira o morro. Estavam famintos "vai trabalhar e não amole", ouvia-se detrás da porta; "aqui não há nada moleque...", dizia outro...

As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma senhora muito atenta disse-lhes "Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!" E voltou com uma latinha de leite.

Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez anos "você é mais velho, tome primeiro..." e olhava para ele com seus dentes brancos, a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua.

Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando de lado para o pequenino! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente os lábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. Depois, estendendo a lata, diz ao irmão "Agora é sua vez. Só um pouco." E o irmãozinho, dando um grande gole exclama "como está gostoso!"

"Agora eu", diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebe nada. "Agora você", "Agora eu", "Agora você", "Agora eu"..

E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, com a camisa de fora, esgota o leite todo...ele sozinho.

Esse "agora você", "agora eu" encheram-me os olhos de lágrimas...

E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou a cantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o estômago vazio, mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a naturalidade de quem não fez nada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância.

Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, "quem dá é mais feliz do que quem recebe." É assim que nós temos de amar. Sacrificando-nos com tal naturalidade, com tal elegância, com tal discrição, que os outros nem sequer possam agradecer-nos o serviço que nós lhe prestamos."